20 de abril de 2020,

09:17 da manhã,

está sol, mas está frio.

Pelo menos aqui perto da floresta está.

Hoje não é um dia especial e como de costume, passa alguns pensamentos assim que acordo de como poderia ter respondido a certos comentários, por assim dizer. Talvez eu seja mesmo a pessoa que guarda teorias inteiras dentro de si por preguiça.

Eu não acordo essa hora, às 9 da manhã já aconteceu meio mundo de coisas onde vivo e não acho grandes coisas, é só uma forma de si viver também.

Outro dia, por pura preguiça em explicar um ponto de vista, eu respondi simplesmente: É!!!! É mesmo!

“Mas você não acha que colocar o nome de seu filho de acordo com a sua religião não seria uma imposição? Que liberdade você está dando para seu filho? E se ele crescer e quiser ser macumbeiro? Qual o problema?”

Eu disse apenas: É!!! É mesmo!

Mas na verdade, eu só levantaria as questões de fato se achasse que valesse a pena. Algumas pessoas merecem apenas a minha preguiça.

Eu não admito ser arrogante de forma conformada, na verdade eu gostaria de ser doce, mas eu não sou assim pois jamais acusaria as pessoas desta forma, eu não me meteria.

Mas eu entendo a necessidade das pessoas em tudo contestar. As pessoas gostam de serem levadas, e acreditam que estão sendo livres.

1º ponto – Dar nome aos que nascem: só o ato em si já está inserido em um costume. nascer é um fato natural, a forma de parto, como se nasce, é cultural. Ter de dar um nome é cultural. Escolher um nome é uma falsa escolha ou é o que podemos fazer diante de uma imposição já posta. Não é justo culpar as pessoas em particular, quando na verdade, por um estado de paz social, foi estabelecido por uma ordem estatal que esta seria uma das exigências mínimas para ser considerado cidadão em determinado Estado.

2º ponto – Ensinar seus valores: você vai ensinar seus valores. Você e sua prole não escaparão, até a ausência de valores será passada. Ensina-se pelo exemplo. Quando foi que demos ouvido? Os bebês aprendem por imitação. Você vai falar seu idioma. E se ele quiser falar outro? Que liberdade você estará dando? Que pergunta. Sua forma de vida será passada, é o que você tem. E tudo bem. não deixem que te façam sentir-se culpado por você ser você. Você está dando o seu melhor, quem não está, não está preocupado, não escrevo para estes.

3º ponto – A falsa liberdade: se você está tão preocupado assim na religião que seu filho terá quando tiver discernimento para escolher, você não está sendo livre nem com seus pensamentos, está “super” tentando controlar. As pessoas são livres para fazer estas escolhas, isto não é problema seu nem quando se trata do seu filho. Por que isto seria uma preocupação? Não importa o nome que você dará, ele vai ser quem ele puder ser. E o seu nome provavelmente tem um significado, acredite, as chances de ser religioso é bem grande.

Você compra roupas de meninos para seu filho se ele nasce com pênis e dá nome de menino. E si ele na verdade está só em um corpo de menino? Seus sentidos, sua essência, enfim, se tudo for feminino e ele resolver ser de todo, inclusive externamente, ser feminino? Essa possibilidade existe, você deixará de colocar o nome do seu filho? De alguma coisa você terá de chamar. Seria muito chato se chamar: Ser Humano 348297128. Mas até com isso nos acostumaríamos e pasmem, acharíamos natural.

4º ponto – você está seguindo a moda de contestar as religiões cegamente como os fanáticos. Não se preocupe com isto. Estamos no Brasil, vivemos processos históricos nos quais algumas religiões fizeram parte de uma tomada de poder e tantas outras eram as que não interessavam ao Estado, se existe algum outro lugar no mundo onde isto ocorreu, me avisem, ops..acho que todos. Por isto, deu-se o estabelecimento de um estado laico, que infelizmente tem visto seus pequenos passos que estava dando neste sentido, sendo apagados por uma onda de fanáticos.

Ser cego em uma ideia é ser fanático, na minha religião há fanáticos, há ateus fanáticos.

Fazer escolhas é preciso, muitas vezes tomar consciência de que estas escolhas são feitas por circunstâncias, nos ajuda a ver que sempre há inúmeras possibilidades. A que você faz é correta e a outra que você sabe e não tomou também e sabe mais o que? As que você nem imagina, também podem estar corretas. E daí? Não teremos em uma só vida a experiência de tudo que existe, de tudo que pode ser. Não existe escolher todas, você não concluirá nada. E isto é uma das poucas certezas que tenho. A de que eu tenho escolhas sob o que me é imposto.

10:10 da manhã.

Foi um desabafo. Só isso.

Deixe um comentário